Em fevereiro de 2025, na pequena cidade de Socorro, Brasil, enquanto os últimos rolos de linha se desenrolavam, as agulhas de uma fábrica de tricot teciam o seu próprio réquiem. A peça sonora de bujiwa (alter ego de Wladimir Vaz Mourão, artista e editor que faz do Barreiro a sua casa há uns bons anos) é o registo artístico dessa despedida, uma cerimónia de adeus a um som que não voltará a ouvir-se.
Apresentada, apropriadamente, na oficina de reparação automóvel Ruiforauto, esta peça em estreia absoluta parte de gravações feitas na fábrica: motores, engrenagens e agulhas das máquinas de tricot, a que se juntam a voz de Sofia Nunes, o baixo elétrico e a máquina de costura operada por Marta Nunes - novas tecnologias, velhos problemas, ou velhas tecnologias, novos problemas. O mundo continua a ser um emaranhado por desenredar.
[Residência e concerto no âmbito do projecto tekhnē, co-financiado pela União Europeia]